quarta-feira, 3 de março de 2010

UM TOUR NA TERRA DA LIBERDADE


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Junho, julho, setembro e dezembro são os meses de realização dos principais eventos em Mossoró. No entanto, não precisa esperar pelo período festivo para visitar a cidade

O corredor cultural, localizado no centro de Mossoró ao longo da Avenida Rio Branco, é o melhor ponto de partida para se conhecer a cidade. É nele onde estão a Praça de Eventos, a Estação das Artes Elizeu Ventania, o Museu do Petróleo e o Teatro Municipal Dix-Huit Rosado.

A Estação das Artes funciona no antigo prédio da Estação Ferroviária. Administrada pela Fundação de Cultura, leva o nome de um dos mais populares artistas de Mossoró e do Rio Grande do Norte: o violeiro Elizeu Ventania, compositor do lamento nordestino e do lirismo. A Estação homenageia filhos ilustres, batizando as salas com seus nomes. O Auditório Jornalista Dorian Jorge Freire é destinado a palestras e seminários; a Biblioteca Professor Vingt-un Rosado, a única do Estado com acervo somente de escritores norte-rio-grandenses, e a Galeria de Artes Marieta Lima, um espaço para exposições.

Ao lado funciona o Museu do Petróleo, o único do País que conta a história do ´ouro negro´. No Museu do Petróleo, além de conhecer mais sobre a Petrobras, o visitante encontra material interessante. Maquetes, fotos, filmes e equipamentos mostram a história do petróleo no Rio Grande do Norte. ´Muitos turistas ficam impressionados em saber que uma cidade do interior do Rio Grande do Norte é responsável pela maior produção de petróleo em terra do País´, conta o guia do museu, Márcio Moura Takagi.

Próximo ao Museu do Petróleo fica o Teatro Municipal Dix-Huit Rosado, com 740 lugares e uma das mais modernas estruturas de casas de espetáculos. Partindo para a Avenida Alberto Maranhão, a parada é na Igreja de São Vicente, palco da batalha histórica entre o povo de Mossoró e o bando de Lampião, no dia 13 de junho de 1927. Durante o duelo, o prefeito da época, Rodolpho Fernandes, e seus homens afugentaram os cangaceiros que aterrorizavam o Nordeste.

Durante a batalha, os cangaceiros Coxete e Jararaca foram capturados. Segundo guias locais, os homens de Rodolpho Fernandes obrigaram Jararaca a cavar sua sepultura. A resistência do povo mossoroense ao bando de Lampião deixou marcas de balas na Igreja de São Vicente, que podem ser vistas até hoje, 80 anos depois.

O episódio virou a peça teatral ´Chuva de Bala no País de Mossoró´, encenada anualmente no mês de junho, no adro da Igreja de São Vicente, uma das principais trincheiras da resistência na época. Próximo à igreja pode ser visitado também o Palácio da Resistência, sede da Prefeitura Municipal.

O episódio sobre a resistência se encerra no Cemitério São Sebastião, onde foi enterrado o corpo do cangaceiro Jararaca (José Leite de Santeiro). Há quem diga que Jararaca é considerado milagreiro. Seu túmulo recebe visitas de pessoas em busca de graças o ano inteiro.

Outros atrativos

A Catedral de Santa Luzia, templo religioso que deu origem à cidade de Mossoró, é outro atrativo de importância histórica que deve ser visitado. Dona Rosa Fernandes, esposa do fundador de Mossoró, Antônio de Souza Machado, foi a idealizadora da construção da capela, em 1772, por motivo de uma promessa feita à protetora dos olhos. Todos os anos, no dia 13 de dezembro, a população festeja a padroeira.

Em frente à igreja fica a praça Vigário Antônio Joaquim. Nela está edificada a estátua de Jerônimo Dix Sept Rosado, mossoroense, governador do Estado do Rio Grande do Norte, falecido em desastre aéreo em 1951, quando se dirigia ao Rio de Janeiro, para tratar de assuntos do seu governo.

Outro praça digna de ser visitada, principalmente à noite, devido a bela iluminação, é a Praça Rodolpho Fernandes. Fontes que jorram água e um coreto transparente chamam atenção. A praça já ficou conhecida nacionalmente por estampar um dos blocos de abertura do Programa do Jô, da Rede Globo.

Já para os que gostam das tradicionais lembrancinhas, o Espaço Arte da Terra, na Avenida Presidente Dutra, é o local ideal. Artesanatos de argila pintado nas cores preto e branco são destaques. Eles representam, respectivamente, o petróleo e o sal, as principais riquezas do município. Miniaturas de cangaceiros em barro e bisqui são alguns dos produtos mais vendidos.

Principais festas

Mossoró Cidade Junina, com o espetáculo ´Chuva de Bala no País de Mossoró´
De 12 a 29 de junho

Festa do Bode
De 25 a 27 de julho

Festa da Liberdade
Dia 30 de setembro, com o espetáculo ´Auto da Liberdade´, encenado por mais de 400 integrantes

Festa de Santa Luzia
De 3 a 13 de dezembro

Saiba Mais

A cada 30 de setembro, os mossoroenses saem às ruas para festejar o aniversário da libertação de seus escravos, que se deu em 1883, cinco anos antes da Lei Áurea.

Em 1927, Mossoró resistiu ao ataque do bando de Lampião.

Mossoró tem o jornal mais antigo do interior do Brasil, O Mossoroense, fundado em 17 de outubro de 1872.

Em Mossoró, a professora Celina Guimarães Viana tornou-se a primeira eleitora brasileira, em 1927.

A água que abastece a cidade é mineral e chega às torneiras com temperatura de aproximadamente 50 graus.

Mossoró é a segunda cidade do Rio Grande do Norte e a maior produtora terrestre de petróleo do Brasil.

A região de Mossoró é a maior produtora de sal marinho do País, respondendo por aproximadamente 95% da produção nacional.

Kiko Barros
Repórter

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